A leitura se torna prazerosa, pois nos leva ao mundo dos sonhos e fantasias..., e além do mais nos faz ter uma visão global dos acontecimentos da vida cotidiana.
domingo, 8 de dezembro de 2013
terça-feira, 12 de novembro de 2013
Consciência Negra
“A luta pela liberdade dos negros brasileiros jamais cessou. Em 1971, um significativo capítulo de nossa história vinha à tona pela ação de homens e mulheres do Grupo Palmares. Lá do Rio Grande do Sul era revelada a data do assassinato de Zumbi, um dos ícones da República de Palmares. Passados sete anos, ativistas negros reunidos em congresso do Movimento Negro Unificado contra a Discriminação Racial cunharam o 20 de novembro como Dia da Consciência Negra. Em 1978, era dado o passo que tornaria Zumbi dos Palmares um herói nacional, vinculado diretamente à resistência do povo negro.
Herdamos os propósitos de Luiza Mahin, Ganga Zumba e legiões de homens e mulheres negras que se rebelaram a um sistema de opressão. Lançaram mão de suas vidas a se conformarem com a prisão física e de pensamento. Contrapuseram-se ante às tentativas de aniquilamento de seus valores africanos e contribuíram com seus saberes para a fundação e o progresso do Brasil.
Orgulhosamente, exaltamos nossa origem africana e referendamos a unidade de luta pela liberdade de informação, manifestação religiosa e cultural. Buscamos maior participação e cidadania para os afro-brasileiros e nos associamos a outros grupos para dizer não ao racismo, à discriminação e ao preconceito racial.
Que este 20 de Novembro, assim como todos os outros, seja de muita festividade, alegria e renove nossas energias para continuarmos nossa trajetória para conquista de direitos e igualdade de oportunidades. Estejamos todos, homens e mulheres negras, irmanados nesta caminhada pela liberdade e pela consciência da riqueza da diversidade racial!”
Matilde Ribeiro
Ministra da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial
Ministra da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial
segunda-feira, 4 de novembro de 2013
Paixão X Amor
Por Dalton Rothen
Um momento em que me sinto muito empolgado em minhas palestras é quando, ao falar sobre a afetividade, mais especificamente sobre o casamento, apresento a diferença entre paixão e amor. O alívio que algumas pessoas experimentam é notório. Para algumas trata-se de uma redescoberta.
O mito do amor moderno, aquilo que a maioria de nós acredita espontaneamente, diz que se você encontra a pessoa certa e apaixona-se por ela, se esse amor for verdadeiro vocês devem se casar e essa sensação irá durar para sempre. Mas se por acaso essa paixão acabar deve-se concluir que o amor não era verdadeiro e devemos partir em busca de outra paixão.
Acontece que paixão eterna é biologicamente impossível. O cérebro humano não permite paixão inacabável.
A paixão é um estado alterado de consciência que gera prazer ao cérebro. Em qualquer experiência intensamente prazerosa ocorre secreção de dopamina - substância química responsável pela transmissão de sinais na cadeia de circuitos nervosos. Poderíamos dizer que a pessoa apaixonada fica "enlouquecida". Ela coloca o seu objeto de paixão num verdadeiro pedestal, só pensa nele, não vê a hora de estar com ele e quer viver com ele para sempre. Em especial, a primeira fase da paixão é muito intensa. Quando apaixonado, o indivíduo segrega uma quantidade muito grande de dopamina que inunda seu cérebro. A química cerebral se desequilibra. E o que faz o cérebro? Procura imediatamente restaurar o equilíbrio. Com isso, quimicamente, compensa o excesso de dopamina, gerando aquilo que chamamos de tolerância. É semelhante ao que ocorre quando as pessoas usam drogas ou substâncias que de alguma forma provocam euforia. Ao criar a tolerância, há necessidade de mais "droga" para provocar o mesmo efeito. Desta forma, após passar pela fase de pico, a tendência do fogo da paixão é perder intensidade.
No ciclo do processo da paixão há dois riscos: 1) quando no pico, a pessoa pode tomar decisões que venham a comprometer toda sua vida. Haidt (2006) diz que nesta fase ninguém deveria pedir alguém em casamento ou aceitar casar-se com alguém; e 2) no arrefecimento da paixão, pode-se achar que era tudo uma ilusão e romper prematuramente uma relação que poderia dar certo.
A primeira conclusão é que paixão não se transforma em amor. Paixão e amor são processos completamente diferentes. O processo do desenvolvimento do amor começa lentamente e vai se desenvolvendo com o tempo de forma ascendente. Você não ama alguém intensamente assim que a conhece. É semelhante ao amor que o pai devota pelo filho que nasce. Aos poucos vai se estabelecendo um vínculo que na maioria dos casos se tornará muito forte.
Você conhece alguém, começa a conviver com essa pessoa e descobre que tem valores similares, identificações e muitas diferenças em relação a ela. O convívio leva às descobertas. Estabelece-se um relacionamento e aumenta a afetividade. Em seguida, ambos começam a fazer projetos juntos e decidem se casar. A vida do casal vai trazer inúmeras possibilidades. Juntos passarão momentos bons e felizes mas também terão que vencer muitas dificuldades. O processo se desenvolve de forma que vai havendo um verdadeiro entrelaçamento entre as vidas, até mesmo uma cumplicidade. Amar é olhar em direção ao outro, dialogar, perdoar, compartilhar, dar-se de maneira intensa. Quanto mais intensamente as pessoas se dão, mais profundo é o amor que se estabelecerá entre elas.
Qual é a função da paixão? Atrair. Juntar inicialmente duas pessoas. Dar a elas a oportunidade de vencer alguns passos iniciais sem o "uso" da razão. Faz com que sejamos ousados, quebremos algumas barreiras e avancemos alguns sinais vermelhos. Porém, uma pessoa apaixonada indefinidamente, com a razão suprimida pelo sentimento enlouquecido, não teria muitas chances de sobrevivência, de forma semelhante à que acontece com um "drogado".
Qual é a função do amor? Estabelecer um vínculo duradouro e uma vida significativa. E quando as pessoas percebem que sua constituição biológica não permite paixão eterna, elas retiram de si um grande peso - e até mesmo um certo sentimento de culpa: "Eu amo minha mulher (ou meu marido), mas aquela paixão inicial não existe mais". É como se tivessem perdido algo, como se o "amor" passasse a não ter qualidade. E não é nada disso. O verdadeiro amor é muito diferente da paixão. Uma relação para sempre é aquela que vem com o amor e com uma certa pitada de paixão.
Se esta revelação trouxe para você um certo alívio, e neste momento você não vê a hora de chegar em casa e dar um beijão no seu amor, já me sinto recompensado por este artigo.
E aqui podemos fazer um paralelo com o mundo corporativo. Muitos pregam que o grande funcionário é aquele que trabalha com paixão, com grande envolvimento profissional. Você já deve ter ouvido esta pregação.
Conforme vimos, a paixão é um processo intenso, porém instável e de curta duração. Assim, quem quer viver repleto de paixão precisa se apaixonar sempre. Ou seja, mudar de parceiro, mudar de empresa, mudar de projetos e assim por diante. Ninguém vai engajar alguém fazendo com que ele se apaixone pela carreira, pelo projeto, pela empresa etc. A Psicologia Positiva, psicologia do século 21 e voltada para o desenvolvimento do ser humano normal e excelente, preconiza que o indivíduo só irá se realizar plenamente se colocar as suas forças pessoais em ação nas várias áreas da vida que valoriza (Seligman, 2002).
A tristeza é natural, você não precisa fazer nada para ficar triste. E se não fizer nada também ficará triste. Já a alegria precisa ser construída. Para ser feliz e realizado, o indivíduo precisa desenvolver seus dons e colocá-los a serviço de algo significativo. E aqui o paralelo com o amor é inevitável. A recompensa maior que alguém pode ter em seu trabalho e nas demais áreas de sua vida que valoriza é fazer alguma coisa que valha a pena. Para se sentir bem a pessoa precisa fazer algo que esteja de acordo com suas forças pessoais, represente um desafio e esteja voltado para um futuro melhor.
Agora, cabe a nós decidir: vamos estimular em nossas vidas e em nossas empresas muita paixão ou muito amor?
Referências:
HAIDT, Jonathan. Uma Vida Que Vale a Pena. Rio de Janeiro: Elsevier Editora Ltda., 2006.
SELIGMAM, Martin E.P. Felicidade Autêntica. Rio de Janeiro: Objetiva, 2002.
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