sábado, 8 de junho de 2013

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Palavras....

O MENINO QUE CARREGAVA ÁGUA NA PENEIRA
(Manuel de Barros)

Tenho um livro sobre águas e meninos.
Gostei mais de um menino que carregava água na peneira.
A mãe disse que carregar água na peneira era o mesmo que roubar um vento
e sair correndo com ele para mostrar aos irmãos.
A mãe disse que era o mesmo que catar espinhos na água
O mesmo que criar peixes no bolso.

O menino era ligado em despropósitos.
Quis montar os alicerces de uma casa sobre orvalhos.

A mãe reparou que o menino gostava mais do vazio do que do cheio.
Falava que os vazios são maiores e até infinitos.
Com o tempo aquele menino que era cismado e esquisito
porque gostava de carregar água na peneira
Descobriu que escrever seria o mesmo
que carregar água na peneira.

No escrever o menino viu que era capaz de ser
noviça, monge ou mendigo ao mesmo tempo.
O menino aprendeu a usar as palavras.
Viu que podia fazer peraltagens com as palavras.
E começou a fazer peraltagens.

Foi capaz de interromper o vôo de um pássaro botando ponto final na frase.
Foi capaz de modificar a tarde botando uma chuva nela.
O menino fazia prodígios.
Até fez uma pedra dar flor!

A mãe reparava o menino com ternura.
A mãe falou: Meu filho você vai ser poeta.
Você vai carregar água na peneira a vida toda.
Você vai encher os vazios com as suas peraltagens
e algumas pessoas vão te amar por seus despropósitos.


sexta-feira, 7 de junho de 2013

O amor... Carlos Drummond de Andrade



Quando encontrar alguém e esse alguém fizer seu coração parar de funcionar por alguns segundos, preste atenção. Pode ser a pessoa mais importante da sua vida. 

Se os olhares se cruzarem e neste momento houver o mesmo brilho intenso entre eles, fique alerta: pode ser a pessoa que você está esperando desde o dia em que nasceu. 
Se o toque dos lábios for intenso, se o beijo for apaixonante e os olhos encherem d'água neste momento, perceba: existe algo mágico entre vocês. 
Se o primeiro e o último pensamento do dia for essa pessoa, se a vontade de ficar juntos chegar a apertar o coração, agradeça: Deus te mandou um presente divino: o amor. 
Se um dia tiver que pedir perdão um ao outro por algum motivo e em troca receber um abraço, um sorriso, um afago nos cabelos e os gestos valerem mais que mil palavras, entregue-se: vocês foram feitos um pro outro. 
Se por algum motivo você estiver triste, se a vida te deu uma rasteira e a outra pessoa sofrer o seu sofrimento, chorar as suas lágrimas e enxugá-las com ternura, que coisa maravilhosa: você poderá contar com ela em qualquer momento de sua vida. 
Se você conseguir em pensamento sentir o cheiro da pessoa como se ela estivesse ali do seu lado... se você achar a pessoa maravilhosamente linda, mesmo ela estando de pijamas velhos, chinelos de dedo e cabelos emaranhados... 
Se você não consegue trabalhar direito o dia todo, ansioso pelo encontro que está marcado para a noite... se você não consegue imaginar, de maneira nenhuma, um futuro sem a pessoa ao seu lado... 
Se você tiver a certeza que vai ver a pessoa envelhecendo e, mesmo assim, tiver a convicção que vai continuar sendo louco por ela... se você preferir morrer antes de ver a outra partindo: é o amor que chegou na sua vida. É uma dádiva. 
Muitas pessoas apaixonam-se muitas vezes na vida, mas poucas amam ou encontram um amor verdadeiro. Ou às vezes encontram e por não prestarem atenção nesses sinais, deixam o amor passar, sem deixá-lo acontecer verdadeiramente. 

É o livre-arbítrio. Por isso preste atenção nos sinais, não deixe que as loucuras do dia a dia o deixem cego para a melhor coisa da vida: o amor.

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Poesia - Carlos Caváco

Foge de mim!

Não pode ser! O teu amor profundo
que toca mesmo as raias da paixão,
e te proclamas “o maior do mundo”,
nada consegue do meu coração.

Não te posso querer como me queres,
não te posso adorar como me adoras.
Eu sei que sofres, e também que choras,
Julgando-te a mais triste das mulheres.

Ouve, entretanto a causa poderosa,
que me obriga a fugir do teu carinho:
-tu és a rosa, mas eu sou o espinho,
-espinho que envenena a qualquer rosa.

Tu mereces alguém que, desfolhando.
Lírios e lírios pela vida afora,
Faça em tu’alma despontar a aura
Com a luz e pássaros cantando.

Alguém que satisfaça os teus desejos,
enquanto o amor no coração lhe cresça,
que te ponha nas mãos luvas de beijos
e coroas de estrelas na cabeça.

E eu já nem sei fazer os madigraes,
Enfeitados de sonhos e chiméreas.
Tanto hei ouvido os uivos da pantera!
 Tanto hei sentido os berros dos chacaus!

Ao meu lado terias que sofrer
Graves tristezas e desilusões.
Evita sempre as lavas dos vulcões.
Evita sempre todo o padecer.

Segue a vida sem olhar atrás
Pontos estranhos nos indica a terra:
-tu, te encaminhas procurando a paz;
-eu, me encaminho procurando a guerra.

Pelo carinho da família amada
É que no eito o coração te bate.
Eu me coloco junto a barricada
Esperando o momento do combate.

Fica onde estás. O teu viver encanta.
E não queiras trocar, flor da manhã,
Essa existência que te faz tão santa,
Pelos beijos do fogo de Satãn.



Esta poesia é para aquelas pessoas que tem medo de AMAR..., e sentem segurança em fugir ao invés de viverem um GRANDE AMOR. 

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Arnaldo Jabor

Crônica do Amor

Ninguém ama outra pessoa pelas qualidades que ela tem, caso contrário os honestos, simpáticos e não fumantes teriam uma fila de pretendentes batendo a porta.

O amor não é chegado a fazer contas, não obedece à razão. O verdadeiro amor acontece por empatia, por magnetismo, por conjunção estelar.


Ninguém ama outra pessoa porque ela é educada, veste-se bem e é fã do Caetano. Isso são só referenciais.


Ama-se pelo cheiro, pelo mistério, pela paz que o outro lhe dá, ou pelo tormento que provoca.


Ama-se pelo tom de voz, pela maneira que os olhos piscam, pela fragilidade que se revela quando menos se espera.


Você ama aquela petulante. Você escreveu dúzias de cartas que ela não respondeu, você deu flores que ela deixou a seco.


Você gosta de rock e ela de chorinho, você gosta de praia e ela tem alergia a sol, você abomina Natal e ela detesta o Ano Novo, nem no ódio vocês combinam. Então?

Então, que ela tem um jeito de sorrir que o deixa imobilizado, o beijo dela é mais viciante do que LSD, você adora brigar com ela e ela adora implicar com você. Isso tem nome.


Você ama aquele cafajeste. Ele diz que vai e não liga, ele veste o primeiro trapo que encontra no armário. Ele não emplaca uma semana nos empregos, está sempre duro, e é meio galinha. Ele não tem a menor vocação para príncipe encantado e ainda assim você não consegue despachá-lo.

Quando a mão dele toca na sua nuca, você derrete feito manteiga. Ele toca gaita na boca, adora animais e escreve poemas. Por que você ama este cara?

Não pergunte pra mim; você é inteligente. Lê livros, revistas, jornais. Gosta dos filmes dos irmãos Coen e do Robert Altman, mas sabe que uma boa comédia romântica também tem seu valor.


É bonita. Seu cabelo nasceu para ser sacudido num comercial de xampu e seu corpo tem todas as curvas no lugar. Independente, emprego fixo, bom saldo no banco. Gosta de viajar, de música, tem loucura por computador e seu fettucine ao pesto é imbatível.

Você tem bom humor, não pega no pé de ninguém e adora sexo. Com um currículo desse, criatura, por que está sem um amor?


Ah, o amor, essa raposa. Quem dera o amor não fosse um sentimento, mas uma equação matemática: eu linda + você inteligente = dois apaixonados.


Não funciona assim. 


Amar não requer conhecimento prévio nem consulta ao SPC. Ama-se justamente pelo que o Amor tem de indefinível.


Honestos existem aos milhares, generosos têm às pencas, bons motoristas e bons pais de família, tá assim, ó!


Mas ninguém consegue ser do jeito que o amor da sua vida é! Pense nisso. Pedir é a maneira mais eficaz de merecer. É a contingência maior de quem precisa.

Casinha Branca - música


Rosa Branca - Poesia

Rosa Branca

Eu me afasto e tento despedir
Você prende a minha a mão e me pede para ficar
Nossos olhos se encontram; 
Nossos lábios se tocam;
Foi o destino que nos uniu, minha querida,
E ele está nos separando.
Largando-nos encalhados e indefesos pelo caminho.
Sofro ao deixá-lo
Sabendo, dentro do coração, que este é o fim.
Mas não me arrependo do tempo
Que junto compartilhamos.
Não me arrependo por amá-lo.
E, se o destino decretar que nossos olhos
Não se encontrem jamais,
Conhecê-lo e amá-lo valeu a pena. 
 E mesmo que nos encontremos em mundos diferentes,
Levarei você sempre no meu coração.
Valéria Nikoff


Está chegando o Dia dos Namorados...vamos amolecer esses corações...